Postado Janeiro 1, 2016 (editado) tu não precisa pressupor que os grupos etnicos são homogêneos para dizer de divida histórica, a não ser que tu trate que quem deve receber seja um grupo etnico inteiro, oq, ao menos eu, não uso esse termo nesse sentido. ao meu entender, se tu está numa situação em que, por culpa de uma injustiça de um antepassado, acaba estando em alguma situação precaria, como vivendo em favelas ou lugares irregulares para moradias, por exemplo. É por isso que algumas universidades usam as cotas raciais apenas em combinação com social, como a UFRGS, que para pegar cota racial tem que ter estudado em escola publica no ensino médio. Não quero entrar no assunto de cotas, apenas estou usando como exemplo e sobre a meritocracia, essa palavra é muito usada com o sentido de "todos temos as mesmas chances, é só querer", por isso a discussão sobre a não existencia dela, que, olhando com esse significado, não deixa de estar certo. enfim, não gostaria de discutir esses dois termos, são discussões mais causadas pela polissemia dos termos e seu uso do que o significado original BoyCubeM, realmente ninguem sabe, mas especular os possiveis motivos da causa é uma discussão saudavel e tu poderia dar um exemplo do racismo presente em nossas respostas? Editado Janeiro 1, 2016 por Israel fraga 2 pessoas curtiram isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 1, 2016 tu não precisa pressupor que os grupos etnicos são homogêneos para dizer de divida histórica, a não ser que tu trate que quem deve receber seja um grupo etnico inteiro, oq, ao menos eu, não uso esse termo nesse sentido. ao meu entender, se tu está numa situação em que, por culpa de uma injustiça de um antepassado, acaba estando em alguma situação precaria, como vivendo em favelas ou lugares irregulares para moradias, por exemplo. É por isso que algumas universidades usam as cotas raciais apenas em combinação com social, como a UFRGS, que para pegar cota racial tem que ter estudado em escola publica no ensino médio. Não quero entrar no assunto de cotas, apenas estou usando como exemplo e sobre a meritocracia, essa palavra é muito usada com o sentido de "todos temos as mesmas chances, é só querer", por isso a discussão sobre a não existencia dela, que, olhando com esse significado, não deixa de estar certo. enfim, não gostaria de discutir esses dois termos, são discussões mais causadas pela polissemia dos termos e seu uso do que o significado original BoyCubeM, realmente ninguem sabe, mas especular os possiveis motivos da causa é uma discussão saudavel e tu poderia dar um exemplo do racismo presente em nossas respostas? [ que tem motivos de culpar os brancos, ou negros ou etc. ] Ah, ok, blz. nadavê minha resposta então desculpa Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 1, 2016 tu não precisa pressupor que os grupos etnicos são homogêneos para dizer de divida histórica, a não ser que tu trate que quem deve receber seja um grupo etnico inteiro, oq, ao menos eu, não uso esse termo nesse sentido. ao meu entender, se tu está numa situação em que, por culpa de uma injustiça de um antepassado, acaba estando em alguma situação precaria, como vivendo em favelas ou lugares irregulares para moradias, por exemplo. É por isso que algumas universidades usam as cotas raciais apenas em combinação com social, como a UFRGS, que para pegar cota racial tem que ter estudado em escola publica no ensino médio. Não quero entrar no assunto de cotas, apenas estou usando como exemplo Eu entendo, só que ai seria uma solução muito melhor a da integração, no lugar de dívida histórica. A diferença é só que a integração tem uma perspectiva que se trata de uma ajuda para pessoas que por si só não conseguiriam se desenvolver. A tese da compensação histórica, por sua vez, deseja não só resolver o problema econômico e social, como tem por pretensão resolver problemas políticos e jurídicos. E dessa perspectiva, falha completamente em resolver qualquer coisa. Pegando emprestado o modelo de imposto negativo dos Chicago Boys, a universidade seria paga e administrada como empresa -- independente de ser estatal ou privada -- e as pessoas de baixa renda teriam condições especiais tanto de subsídios nas mensalidades (a depender, até mesmo a gratuitidade), além de diversos acordos comerciais de bolsas e financiamento estudantil. Na prática, a grande diferença entre esse modelo e o atual da cota é que: Qualquer pobre seria favorecido (independente da etnia), o número de vagas seriam maiores e as universidades seriam mais sustentáveis (vide o rombo do orçamento da USP). O lado "ruim" é que a universidade se tornaria uma instituição de treinamento e capacitação, no lugar do centro de livre-cultura e conhecimento (que é uma visão europeia da universidade). Mas ai é uma outra discussão que vai se tornando cada vez mais ampla. No fundo, todas essas discussões são polissêmicas porque existe um esforço político gigantesco para fugir do centro da discussão, que é a discussão, no fundo, da escolha entre um governo racional centralizado vs o livre-mercado. 2 pessoas curtiram isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 1, 2016 Eu entendo, só que ai seria uma solução muito melhor a da integração, no lugar de dívida histórica. A diferença é só que a integração tem uma perspectiva que se trata de uma ajuda para pessoas que por si só não conseguiriam se desenvolver. A tese da compensação histórica, por sua vez, deseja não só resolver o problema econômico e social, como tem por pretensão resolver problemas políticos e jurídicos. E dessa perspectiva, falha completamente em resolver qualquer coisa. Pegando emprestado o modelo de imposto negativo dos Chicago Boys, a universidade seria paga e administrada como empresa -- independente de ser estatal ou privada -- e as pessoas de baixa renda teriam condições especiais tanto de subsídios nas mensalidades (a depender, até mesmo a gratuitidade), além de diversos acordos comerciais de bolsas e financiamento estudantil. Na prática, a grande diferença entre esse modelo e o atual da cota é que: Qualquer pobre seria favorecido (independente da etnia), o número de vagas seriam maiores e as universidades seriam mais sustentáveis (vide o rombo do orçamento da USP). O lado "ruim" é que a universidade se tornaria uma instituição de treinamento e capacitação, no lugar do centro de livre-cultura e conhecimento (que é uma visão europeia da universidade). Mas ai é uma outra discussão que vai se tornando cada vez mais ampla. No fundo, todas essas discussões são polissêmicas porque existe um esforço político gigantesco para fugir do centro da discussão, que é a discussão, no fundo, da escolha entre um governo racional centralizado vs o livre-mercado. O ser humano é bastante resistente à mudanças, eu não consigo imaginar toda a "civilização " que é a USP, adotar um modelo diferente; então, um passo de cada vez... Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 1, 2016 ETEs >> all [ claro que ainda estamos descobrir os rastros deles. ] Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 1, 2016 Se você acha que deve algo, pague. Agora, não é legal ficar enfiando a dívida histórica nas pessoas: 2 pessoas curtiram isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 2, 2016 Ou mas Carlos, fiquei curioso aqui, se acha que isso faz alguma diferença em relação a como está a situação hoje e que poderíamos fazer pra tentar combater o preconceito e tornar a sociedade mais justa? Batista, sua pergunta pressupõe umas coisas que eu vejo por outra perspectiva, aí fico sem ter muito como responder isso. A gente até conversou sobre isso uma vez pessoalmente, sobre a questão do que é felicidade para cada pessoa e tal. Mas é um assunto que rende mesmo... No fim das contas o objetivo da pergunta é eu eventualmente saber mais coisas que refutam ou reforçam essa minha ideia. Se você acha que deve algo, pague. Agora, não é legal ficar enfiando a dívida histórica nas pessoas: Seu post me lembrou esse vídeo, acho que pode gostar, apesar de não ser exatamente sobre esse assunto do tópico. https://www.facebook.com/1589010024700798/videos/1640619869539813/?pnref=story 2 pessoas curtiram isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 2, 2016 (editado) Sobre a meritocracia, tudo depende do que a pessoa compreende por essa palavra. No sentido literal, ela é o exato oposto de uma utopia, porque qualquer coisa é conquistada pela capacidade de fazer ou ser algo. Por exemplo, empreiteiros e políticos corruptos precisaram de muita competência para conseguir desviar o dinheiro sem que ninguém percebesse. Mas obviamente, não é nesse sentido que as pessoas usam. Ok, a sua resposta ficou muito grande pra eu responder tudo :S Mas vou focar nessa parte que eu acredito que foi mais referente a minha resposta. A questão da meritocracia é como o Israel falou, vai depender do sentido que você está usando para palavra e no contexto em que a mesma está sendo aplicada. Evidente que quando eu disse que achava a meritocracia uma utopia eu estava me referindo dentro da ótica do igualitarismo. Mas, acho irrelevante ficarmos discutindo a definição da palavra aqui. O que os defensores da meritocracia defendem é que haja liberdade de ação suficiente para que as pessoas possam usar das suas competências para servir as outras pessoas. Dito de forma menos abstrata, que o mercado seja livre de intervenções e as pessoas possam servir as outras, para que estas também tenham seus desejos servidos. Assim, cada pessoa auferirá os lucros decorrentes da sua competência de prever a demanda e usar o trabalho, o capital e os meios de produção de forma a oferecer a oferta adequada a demanda. É o mecanismo clássico de mercado, definido por Adam Smith e David Ricardo, onde todos são consumidores e fornecedores e a precificação dos bens gera um equilíbrio onde todo mundo ganha mais do que ganharia se fizesse tudo por conta própria (princípio da vantagem comparativa). As ideias de Adam Smith, David Ricardo, e que podem sem bem exemplificadas pela lei de Say foram realmente geniais, e foram um importante marco dentro do estudo da macroeconomia, contudo apresentam diversas limitações e só funcionam em um mercado de concorrência perfeita. Mesmo seguindo um modelo clássico de economia tivemos o crash de 29. O que acontece é que os clássicos não previram uma variável extramente importante, que só foi visto alguns anos depois por Keynes, a expectativa dos agentes econômicos. Não quero me alongar aqui como exatamente a expectativa dos agentes econômicos influencia o mercado (se alguém se interessar pelo assunto recomendo a leitura: http://www.gestiopolis.com/expectativa-incerteza-e-especulacao-na-teoria-keynesiana/), no entanto, o que Keynes concluiu e que fez com que diversos países pudessem enfrentar a crise econômica decorrente de uma economia livre foi que a oferta nem sempre cria sua própria demanda e nem sempre há uma plena alocação dos fatores de produção dentro de uma economia aberta, muitas vezes o estado deve intervir na economia para que essa alocação de fatores ocorra. Sem contar que o produto potencial de uma economia nem sempre converge com o que a economia está realmente produzindo e em muitos casos o governo deve aumentar seus gastos para manter a economia aquecido. Bem, não sei exatamente como chegamos nessa discussão sobre economia agora, mas não quero me manter nela eternamente Só queria fazer esse adendo: nem sempre uma economia livre é boa para todos e que podem haver distorções que devem ser corrigidas pelo estado. Editado Janeiro 2, 2016 por Batista 1 pessoa curtiu isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 2, 2016 (editado) Pra mim, a meritocracia só tem sentido se todos tivessem as mesmas condições e oportunidades; e, mesmo assim, só funcionaria por uma geração apenas... a meritocracia é justamente garantir um avanço para as próximas gerações. Voltando um pouco a questão da dívida histórica, vcs acham mesmo que é justo as pessoas pagarem pelos erros do passado ? a escravidão foi sim um problema, mas n é culpa de nenhum de nós. Seria bom se vissem o video que carlos comentou, ele é bem interessante. Editado Janeiro 2, 2016 por Daniel Figueira Gonçalves Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 2, 2016 a meritocracia é justamente garantir um avanço para as próximas gerações. Então, mas próximas gerações de quem ? Eu não vejo muito mérito num cara que ganha uma maratona dirigindo um Hummer (que ganhou do pai), atropelando os outros maratonistas que correm a pé... 1 pessoa curtiu isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 2, 2016 Então, mas próximas gerações de quem ? Eu não vejo muito mérito num cara que ganha uma maratona dirigindo um Hummer (que ganhou do pai), atropelando os outros maratonistas que correm a pé... sim sim, o mérito foi através do esforço que os pais ou avós dessa pessoa adquiriu. Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 3, 2016 Batista, algumas coisas antes de prosseguirmos a discussão: 1 - O cenário da crise de 29 não era nem de longe um cenário de livre-mercado desregulamentado. Primeiro que já havia o Federal Reserve System (aka, FED), que vinha desde sua fundação interferindo na política monetária com o objetivo de aumentar a base monetária. Aliás, aqui a evolução do M2 dos Estados Unidos, entre a crise de 22 e a recuperação econômica. Isso ocorreu porque em razão das dificuldades econômicas da crise de 1922 (a maior crise dos EUA até então, que acabou muito mais rápido que a crise de 29 sem o governo ter feito nada), o FED se recusou a subir a taxa de juros interbancária (a única que ele controlava, até inventar o Quantitative Easing em resposta a crise de 2008). Em suma, você tinha uma política anticíclica por parte do banco central, que reunia emissão de base monetária e juros abaixo do mercado, com o objetivo de criar um boom para aquecer a economia. Com uma economia fortemente baseada em crédito, a queda da demanda do seus itens gerou um efeito cascata, já que a inadiplência gerava desemprego e resultados contábeis negativos, que retroalimentavam a inadimplência. A razão pela qual ela afetou toda a economia é porque, como o FED e os Bancos agiam sempre no mesmo sentido, a crise foi monetária, afetando o preço de toda a moeda de uma vez. 2 - As escolas neoclássicas não precisam da expectativa de agentes racionais para fazerem sentido. Isso é uma mera construção teórica para compreender os fenômenos da cataláxia (como os austríacos chamam a economia propriamente dita) sem interferências de outras naturezas. Na verdade, é o estudo da microeconomia neoclássica que desenvolveu o campo da ação humana (praxeologia, da escola austríaca) e a economia comportamental, porque a macroeconomia keynesiana não aborda de forma precisa como o indivíduo toma decisões em finanças. Tanto o é que a revolução marginalista -- onde o preço deixa de ser um valor objetivo e passa a ser uma noção subjetiva -- é neoclássica por excelência, sendo seus 3 descobridores -- Fisher, Walras e Menger -- os pais da economia ortodoxa, da econometria e da escola austríaca. 2.1 - Na verdade, ao contrário do que você disse, o foco macroeconômico de Keynes é que ignora as interferências da consciência humana, ao criar uma tese que exige o que Hayek chamava de "pretensão de conhecimento", ou seja, que os líderes da política monetária tenham conhecimento absoluto para prever todos os efeitos da intervenção "up to down". Os grandes economistas da escola austríaca, como Bohm-Bawerk e Ludwig von Mises já tinham apontado esses problemas, mas com um foco maior no planejamento central do socialismo -- apesar da excelente obra do Mises chamada Intervencionismo, uma análise econômica). 3 - Essa visão de Keynes sobre a lei de Say foi, provavelmente, o maior erro dele (que não me entendam mal, era um grande intelectual apesar d'eu não concordar com suas teses). Aqui um texto explicando o problema de forma mais detalhada, mas basicamente, o que Say falou sobre o consumo é que qualquer pessoa precisa ser produtor antes de ser consumidor. Dito tudo isso, minha posição é sim alinhada com a escola clássica em alguns pontos e com a neoclássica nos demais -- com especial preferência à análise mais filosófica da escola austríaca. E digo que em nenhuma escola clássica ou neoclássica, se imaginou em algum momento que o mercado fosse livre de distorções. Aliás, a concorrência existe nessas teses para que essas distorções possam ser corrigidas através do prejuízo das empresas que forem incapazes de prever a demanda futura. O que se afirma, isso sim, é que a intervenção de cima pra baixo, em razão de decretos jurídicos, cria mais distorções do que resolve, pois qualquer interferência no equilíbrio de mercado reajusta todas as curvas de oferta, preço e demanda, sendo impossível para qualquer ser humano prever todos esses efeitos. Isso porque não estou nem considerando a possibilidade de políticos serem corruptos ou incompetentes, estou presumindo o que Platão chamava de Rei-Filósofo, um imperador de poder e bondade absoluta, além de um sábio em sentido estrito. Mesmo esse indivíduo, tão cheio de boas intenções, vai criar distorções ao interferir na economia por decreto, justamente porque não existe algo como "homo economicus" e "informação perfeita" o que gera efeitos imprevisíveis no mercado -- porque ele reflete somente as escolhas humanas e a essência humana é imprevisível por natureza. Agora imagine isso tudo considerando que, na realidade, não só é possível que políticos sejam corruptos como em regra, a política é o lugar por excelência dos discursos com duplas -- triplas e quadruplas -- intenções. Qual a probabilidade de uma interferência -- sei lá, um corte de IPI em produtos automotivos -- ter por objetivo ajudar empresários amigos e não "aquecer a economia"? 2 pessoas curtiram isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 3, 2016 sim sim, o mérito foi através do esforço que os pais ou avós dessa pessoa adquiriu. Pois é, mas se você voltar na história vai perceber que os avós, tataravós, tatataravós e etc, de muitos desses caras eram coronéis, capitães, barões, condes, viscondes e duques, que enriqueceram às custas do trabalho escravo, predominantemente de origem ou descendência africana; e que essa exploração continua até hoje. Claro que não são todos os pobres que são afrodescendentes, mas, a proporção deles ainda é grande. Quando a lei áurea foi assinada, não teve interesse em beneficiar os escravos, muito pelo contrário; reduzia custos dos donos de escravos, pois o custo de alimentação, moradia e saúde deixavam de ser obrigação deles. No caso dos imigrantes foi a mesma coisa, com a diferença que a maioria dos imigrantes tinham ou recebiam educação formal, o que permitiu de forma mais fácil o seu sustento e, mais tarde, estabelecerem financeiramente. Esse tipo de educação era rara entre os negros e, quando esses poucos conseguiam cursar alguma escola, eram alvos de preconceito e parte desse preconceito está nessa recusa em aceitar as cotas aos negros e pobres. Já passou da hora de estender a mão aos menos privilegiados, já foi mais do que provado que o ódio só gera mais ódio e se alguém quer que haja uma verdadeira melhoria para a vida de todos, não apenas para sí próprio, eu tenho plena convicção de que o caminho correto é o amor e respeito ao próximo. 1 pessoa curtiu isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 3, 2016 Quando a lei áurea foi assinada, não teve interesse em beneficiar os escravos, muito pelo contrário; reduzia custos dos donos de escravos, pois o custo de alimentação, moradia e saúde deixavam de ser obrigação deles. Mas se reduzia o custo dos escravos, por que os donos de escravos os manteriam pra começo de conversa? Isso é contabilidade básica. Pensemos de forma amoral -- como pensavam os senhores de escravos: O escravo é um produto, que tem um preço de compra e um custo de manutenção, sendo necessário vender no mercado caso ele não lhe seja mais útil. Existia a opção da mão de obra, mais barata, sem custo de compra e de relação puramente contratual, ou seja, poderia ser demitido a qualquer momento. Então você tinha um custo menor, sem investimento inicial e sem risco de perda, para fazer o mesmo serviço (ou até mesmo de forma mais produtiva, já que escravos se rebelavam e etc). Alguma coisa nessa história toda NÃO ENCAIXA! Além do que, se fosse uma questão racial -- e não econômica -- por que diabos a legislação preveria a alforria? E por que escravos alforriados comprariam escravos? Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 3, 2016 Naquela época eles não tinham muita noção desse tipo de contabilidade. Culturalmente, pelo que eles conheciam de história, ser sustentado por escravos era a idéia que eles tinham de mundo ideal, do que funcionava até então mas que precisava de alguns ajustes. O lance da alforria e abolição foi tudo idéia dos norte americanos, os brasileiros copiaram o modelo, mas teve resistência tanto lá como cá; pois "o ser humano tem muita resistência a mudanças culturais". Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 3, 2016 Naquela época eles não tinham muita noção desse tipo de contabilidade. Culturalmente, pelo que eles conheciam de história, ser sustentado por escravos era a idéia que eles tinham de mundo ideal, do que funcionava até então mas que precisava de alguns ajustes. O lance da alforria e abolição foi tudo idéia dos norte americanos, os brasileiros copiaram o modelo, mas teve resistência tanto lá como cá; pois "o ser humano tem muita resistência a mudanças culturais". Não concordo nem discordo muito menos ao contrário. [ PS : Nem concordo com todas, mas acho que o Newbie tem razão. ] Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 4, 2016 Naquela época eles não tinham muita noção desse tipo de contabilidade. Veja, não sou um especialista no assunto, estou indo pela lógica. Porém dizer que não tinham noção desse tipo de contabilidade é complicado. Existem ciências que são novas, como antropologia e sociologia. E é claro que tivemos avanços em todas elas do século XVIII pra cá. Porém dai a dizer que eles não sabiam fazer um cálculo básico desses é exagero. De acordo com o portal da contabilidade, a diferença em passivo, ativo, despesa, compra e etc já era feita na república romana. Isso ai é coisa básica, que qualquer empresário, mesmo analfabeto, aprende por experiência. É possível que o fim da escravidão tenha iniciado o desenvolvimento tecnológico -- o que aumentou a produtividade com o tempo, mas dizer que eles não sabiam diferenciar despesa de salário é um pouco demais. Ma pra não perder o foco do assunto de novo, volto ao meu ponto de que é necessária uma "prescrição" para esse tipo de justiça histórica. Até porque nosso Estado não conseguiu nem decidir sobre como vai pagar as cadernetas de poupança do Collor I (e olha que depois ainda tem uns 3-4 planos do Sarney pra votar), imagina se conseguirá fazer alguma "justiça" de crimes feitos a mais de um século? Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 4, 2016 Veja, não sou um especialista no assunto, estou indo pela lógica. Porém dizer que não tinham noção desse tipo de contabilidade é complicado. Existem ciências que são novas, como antropologia e sociologia. E é claro que tivemos avanços em todas elas do século XVIII pra cá. Porém dai a dizer que eles não sabiam fazer um cálculo básico desses é exagero. De acordo com o portal da contabilidade, a diferença em passivo, ativo, despesa, compra e etc já era feita na república romana. Isso ai é coisa básica, que qualquer empresário, mesmo analfabeto, aprende por experiência. É possível que o fim da escravidão tenha iniciado o desenvolvimento tecnológico -- o que aumentou a produtividade com o tempo, mas dizer que eles não sabiam diferenciar despesa de salário é um pouco demais. Ma pra não perder o foco do assunto de novo, volto ao meu ponto de que é necessária uma "prescrição" para esse tipo de justiça histórica. Até porque nosso Estado não conseguiu nem decidir sobre como vai pagar as cadernetas de poupança do Collor I (e olha que depois ainda tem uns 3-4 planos do Sarney pra votar), imagina se conseguirá fazer alguma "justiça" de crimes feitos a mais de um século? Imagina que você compre uma cachorrinha pra melhorar a segurança da sua casa ou mesmo para te fazer companhia. Num final de semana que você chama os amigos pro churrasco, na hora de abrir o portão pra receber aquela ex-namorada com o namorado novo e, naquele momento de distração, quando você tá prestando mais atenção nos defeitos do cara e pensando "putz, por que foi que ela me trocou por esse babaca?", a cachorrinha foge correndo pra rua; você xinga sua mãe por não ter prendido ela direito e etc. Dois dias depois a cachorrinha volta pra casa, toda suja; você abraça ela, chora, dá uns tapinhas no bumbum dela e tudo fica bem pelos próximos 2 meses, quando ela dá a luz a 4 filhotinhos. Nenhum dos seus amigos ou conhecidos querem adotar pois moram em apartamento, têm alergia ou já possuem cachorros. Depois de alguns meses você foi lembrado, pela bronca da sua mãe e o tamanho da barriga das 3 fêmeas, que não havia castrado os filhotinhos, ou tinha deixado pra fazer isso quando eles ficassem maiores... Tem coisa que a gente só aprende com o tempo; no caso dos escravos no Brasil, isso demorou décadas ou mesmo séculos pro problema cair nas mãos dos senhores de engenho e esses perceberem que haviam muito mais escravos do que eles precisavam ou do que eles gostariam de manter e não tinham pra quem passar pra frente. Porém, pelas regras mercantilistas, quanto maior a oferta, menor o preço, então passou a valer mais à pena dispensar todos os escravos e recontratar apenas o que for necessário (com a vantagem de poder aumentar ou reduzir o contingente de acordo com a sazonalidade). Na minha opinião, a questão primordial não seria nem "julgar", "punir" e "indenizar" tais possíveis crimes ou distorções; mas tentar encontrar soluções que melhorem o país; só que o país, em grande parte, são as pessoas. A sociedade em que vivemos hoje, aqui no Brasil, tem muitas semelhanças sócio-culturais com o Império Romano (que ruiu) e com o Absolutismo (que também ruiu), com a diferença que o mecanismo de controle das massas se chamava Destino, depois passou a se chamar de Religião e hoje chamamos de Mídia. Ufa, falei demais, cansei... 1 pessoa curtiu isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 4, 2016 Na minha opinião, a questão primordial não seria nem "julgar", "punir" e "indenizar" tais possíveis crimes ou distorções; mas tentar encontrar soluções que melhorem o país; só que o país, em grande parte, são as pessoas. Mas esse foi meu ponto desde o começo: Que se aplique a tese do imposto negativo! O problema ai é outro: Uma coisa é você dizer o seguinte "ok, tendo em vista o objetivo de melhorar a produtividade e o bem estar do país, vamos tentar favorecer as classes menos abastadas, para melhorar a média educacional". Outra coisa totalmente diferente é "Nós, homens brancos, devemos x, y e z pra sei lá quantas etnias." Parece besteira, mas a questão dessa narrativa é que a primeira une a sociedade, a segunda divide em grupos de "agressores" e "vítimas". E o efeito final da segunda narrativa é sempre desastroso, porque você começa a fazer injustiças contra indivíduos em nome de uma justiça abstrata geral. 1 pessoa curtiu isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 4, 2016 Mas esse foi meu ponto desde o começo: Que se aplique a tese do imposto negativo! O problema ai é outro: Uma coisa é você dizer o seguinte "ok, tendo em vista o objetivo de melhorar a produtividade e o bem estar do país, vamos tentar favorecer as classes menos abastadas, para melhorar a média educacional". Outra coisa totalmente diferente é "Nós, homens brancos, devemos x, y e z pra sei lá quantas etnias." Parece besteira, mas a questão dessa narrativa é que a primeira une a sociedade, a segunda divide em grupos de "agressores" e "vítimas". E o efeito final da segunda narrativa é sempre desastroso, porque você começa a fazer injustiças contra indivíduos em nome de uma justiça abstrata geral. Concordo com a sua interpretação, eu também penso que as etnias são propriedades e não qualidades, e acho ainda que as cotas para negros e pardos partem de um ponto de vista racista. Mas se levarmos em conta que a nossa sociedade ainda é bastante racista e que grande parte da população ainda é pobre (apesar de eu achar isso relativo, mas digamos que existe injustiça nesse sentido, um tipo de agressão contida); o ponto de vista por parte dessa população, que são os que mais sofrem com a falta de oportunidade para alcançar uma qualidade de vida melhor, com mais saúde e conforto, precisa ter um peso maior a ser considerado. O que eu mais vejo (entre meus amigos mesmo) são pessoas em situações financeiras bastante confortáveis criticando ações que favorecem as camadas mais pobres da sociedade (sobretudo a paulistana que é a que mais conheço). E mesmo que eu explique sobre o crescimento econômico com a melhoria do poder de compra daqueles que têm o seu potencial reprimido pela falta de recursos e das possibilidades de melhorias a médio e longo prazo na questão das segurança, saúde, educação, emprego, desenvolvimento cultural, científico e industrial e etc, etc e etc; é impossível de fazer com que eles deixem de acreditar em sua "lógica passional" de que os pobres estão tomando o lugar de seus filhos na faculdade e que isso vai fazer o universo se desintegrar... Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 4, 2016 Estou gostando bastante da discussão, pessoas se respeitando e mostrando bem o seu lado, estou gostando de ver os argumentos, é bom ver novas visões sobre o assunto, estou aprendendo e entendendo melhor algumas questões. 1 pessoa curtiu isso Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites
Postado Janeiro 4, 2016 Este tópico me lembrou de uma comédia dos anos 80 onde um cara finge ser negro pra ganhar uma bolsa na faculdade. Segue o trailer: Compartilhar este post Link para o post Compartilhar em outros sites